Quem é Guilherme Della Nina?

Guilherme Della Nina nasceu em uma família onde o voleibol corria como sangue nas veias. O mais novo entre quatro irmãos, cresceu imerso em um ambiente naturalmente competitivo e inspirador, cercado por atletas talentosos. No clube que frequentava, o Botafogo, conviviu desde cedo com grandes nomes do esporte em diferentes categorias. O vôlei, ali, nunca foi apenas um jogo — era linguagem, cultura e expressão cotidiana, presente em cada gesto e conversa dentro de casa.

Aos cinco anos, já era figura constante no clube: observava treinos, recolhia bolas e absorvia, com olhar atento, os movimentos que mais tarde fariam parte de sua identidade. Aos sete, deu início oficial à sua trajetória esportiva ao se federar no Clube de Regatas Flamengo, sob a orientação do consagrado técnico Radamés Lattari.


Dos cinco aos 21 anos, viveu intensamente o voleibol de quadra. Ainda na categoria mirim, sagrou-se campeão estadual invicto em 1980, com apenas 11 anos. Vieram outras conquistas importantes nos campeonatos estaduais infanto e juvenil pelo Bradesco, além de passagens marcantes pela seleção do estado do Rio de Janeiro, onde conquistou o título brasileiro, e pela seleção brasileira, tornando-se campeão sul-americano infanto-juvenil.


Mas, para além das medalhas, foi na liberdade das brincadeiras de rua que se construiu sua base mais profunda. O “redinha” improvisado no portão de casa ensinou ao corpo aquilo que a técnica ainda não nomeava. Antes da compreensão racional, veio a vivência — e foi nela que se formaram as habilidades que carrega até hoje.


Sob a ótica da Antroposofia, sua infância foi guiada pelo querer. Por volta dos sete anos, o sentir passou a moldar seus movimentos. Entre os sete e os 14 anos, internalizou imagens e gestos, incorporando-os com naturalidade. Aos 14, iniciou um processo mais consciente de refinamento técnico, lapidando fundamentos e ampliando sua compreensão do jogo. Como toda jornada, houve pausas — e foi nelas que novos caminhos se abriram.


Aos 21 anos, Guilherme expandiu seus horizontes para além das quadras. Formou-se bacharel em Comunicação Social, aprofundou-se na Pedagogia Waldorf, na Ginástica Bothmer e graduou-se em Educação Física. Seu percurso formativo seguiu vivo e em constante transformação, incluindo estudos em culinária japonesa, culinária integral, filosofia e integração de práticas pedagógicas. Aprender nunca deixou de ser movimento em sua vida.


O impulso de ensinar revelou-se tão forte quanto o de competir. Como atleta amador, também se dedicou à natação e ao polo aquático, além do próprio voleibol, com experiências em seleções de base. No entanto, foi na educação que encontrou seu eixo mais profundo.

Desde os 33 anos, atua como educador, acompanhando o desenvolvimento de crianças e jovens com presença e sensibilidade. Trabalhou com diversas disciplinas do ensino fundamental, sempre guiado por um olhar atento aos fenômenos da natureza e ao universo infantil, buscando uma pedagogia integradora, viva e coerente com o desenvolvimento humano.


Sua atuação ultrapassa a sala de aula. Em diálogo constante com pais e comunidades escolares, desenvolve reflexões sobre temas essenciais como infância, alimentação, puberdade, adolescência, uso de tecnologia e os desafios contemporâneos da educação. Para Guilherme, educar exige deslocamento: é preciso enxergar o mundo a partir dos olhos da criança, e não projetar sobre ela as próprias visões.


Como uma panela de barro que precisa ser curada para alcançar sua plenitude, Guilherme segue em constante transformação. Cada experiência, cada aprendizado, é incorporado com tempo, paciência e profundidade. Sua trajetória é feita de revisões, escuta e presença — um amadurecimento contínuo, conduzido em fogo baixo.

E assim ele segue: com consistência, sensibilidade e propósito, dedicando-se a formar não apenas atletas ou alunos, mas seres humanos mais inteiros, conscientes e conectados com o mundo.